quarta-feira, 30 de maio de 2012

Jack White - Blunderbuss (2012)

Jack White é sem dúvida alguma um dos caras mais trabalhadores do mundo musical, primeiro ganhou destaque ao lado de sua esposa/pseudo-irmã Meg White com o duo The White Stripes, fazendo um Rock forte e direto inspirado no Blues quando ninguém mais o fazia. 

Paralelo a sua "banda" principal, em 2005 Jack White formou o The Raconteurs, usando das mesmas influências de seu trabalho principal mas aproveitando todas as vantagens que uma banda completa composta por mais 3 músicos fixos e vários contratados podem oferecer a um excelente compositor como ele. Não satisfeito com em ter duas bandas, em 2009 ao lado de membros do Queen Of The Stone Age e The Kills formou o The Dead Weather onde voltou ao seu instrumento de origem, a bateria.

Após o fim oficial do The White Stripes em 2011 e com suas duas outras bandas de férias por tempo indeterminado, em abril de 2012 Jack White lançou seu primeiro álbum solo intitulado Blunderbuss, onde mostra que a sonoridade de suas bandas anteriores é uma influência muito forte e que novos elementos musicais sempre são bem vindos em seus trabalhos.

"Missing Pieces" abre o disco com sua levada intrincada deixando o ouvinte curioso pelo o que está por vir. Em seguida "Sixteen Saltines" traz o som de guitarra característico de White em um riff simples e extremamente marcante na música mais pesada do disco. "Love Interruption" foi o primeiro single do disco e mostra o lado acústico e melancólico de Jack White acompanhado por uma ótima banda feminina que dá mais ênfase a delicadeza da faixa.

"I'm Shakin'" é a única música do disco que não foi composta por Jack White, esse Blues rápido entra facilmente na lista de preferidas de qualquer fã de boa música. "Hip (Eponymous) Poor Boy" tem uma sonoridade meio Country, meio Bluegrass que incrivelmente se mostra muito boa para a voz do cantor.

No final das contas com seu primeiro álbum solo Jack White mostra para quem quiser ver/ouvir que é possível ter vários projetos e conseguir imprimir um selo de qualidade em todos eles, fazendo com que a prática leve a perfeição e a cada novo trabalho suas músicas soem melhor.

Destaque para as músicas:

- Sixteen Saltines
- Freedom At 21
- Love Interruption
- Blunderbuss
- I'm Shakin'
- Hip (Eponymous) Poor Boy


Até a próxima ^^

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bruce Springsteen - Wrecking Ball (2012)

Wrecking Ball é o décimo sétimo disco de estúdio do cantor, compositor e guitarrista americano Bruce Springsteen, acompanhado como de costume por sua banda de apoio, a E Street Band, porém com uma baixa no grupo, o saxofonista e membro fundador Clarence Clemons, falecido em junho do ano passado.

Do alto de seus 62 anos Springsteen ainda apresenta um amor pela música muito grande, produzindo ótimos discos (dos últimos 5 álbuns lançados, 4 ficaram em primeiro lugar da Billboard 200) e fazendo apresentações memoráveis a cada show.

"We Take Care Of Our Own" abre o disco com belas frases melódicas deixando claro seu potencial para ser o primeiro hit deste disco. O ritmo bem marcado serve de base para o instrumental muito bem elaborado que consegue mesclar partes delicadas, tocadas por cordas e teclados, com a sonoridade forte e marcante da guitarra do Boss.

"Jack Of All Trades" pode ser definida como uma música country moderna, colocando em uma mesma canção o ritmo característico do gênero com alguns elementos eletrônicos. Esta é sem dúvida uma das músicas mais bonitas do álbum graças a grande performance de Springsteen nos vocais e as belas partes instrumentais que o acompanham nessa faixa, incluindo a participação especial de Tom Morello do Rage Against The Machine na guitarra principal, o músico também participa da música "This Depression", outra bela faixa deste novo disco.

"Death To My Hometown" lembra a música tradicional Irlandesa com uma batida eletrônica servindo de fio condutor para os inúmeros instrumentos presentes no arranjo criando harmonias muito interessantes. A faixa título "Wrecking Ball" foi composta em 2009 como uma homenagem ao Giants Stadium em New Jersey que foi fechado e demolido pouco tempo depois de uma série de cinco shows de Springsteen neste local em outubro de 2009.

Com Wrecking Ball Bruce Springsteen deixa claro que não pretende parar tão cedo e que se mantém em forma e antenado ao que acontece no universo musical para continuar produzindo bons discos e ótimos shows, fazendo jus ao apelido de "The Boss".

Destaque para as músicas:

- We Take Care Of Our Own
- Jack Of All Trades
- Death To My Hometown
- This Depression
- Wrecking Ball
- Land Of Hope And Dreams

Até mais ^^

quarta-feira, 28 de março de 2012

Vivendo Do Ócio - O Pensamento É Um Imã (2012)

Com o ótimo álbum de estreia Nem Sempre Tão Normal (2009), a banda baiana Vivendo Do Ócio chamou atenção para o seu trabalho, fazendo um tipo de Rock influenciado na medida certa tanto pelo Rock clássico quanto pelo Indie Rock, a banda foi considerada uma das grandes representantes do gênero no cenário nacional.

Consequentemente toda essa atenção gerou expectativa sobre o futuro do grupo, e o álbum O Pensamento É Um Imã vem para mostrar que os baianos não tinham a preocupação de sofrer a "síndrome do segundo disco" como a maioria das bandas que fazem um bom álbum de estreia e acabam compondo músicas propositalmente no mesmo estilo de seu primeiro disco no trabalho seguinte para tentar agradar aos fãs e crítica conquistados.

Geralmente essas bandas deixam para experimentar novos elementos em suas composições em um terceiro álbum, mas a Vivendo Do Ócio já faz isso em O Pensamento... e muito bem por sinal, conseguindo mesclar de maneira equilibrada a já consagrada sonoridade da banda com suas novas influências.

"Silas" tem um poderoso riff de guitarra e foi a primeira música deste novo trabalho a ser divulgada pela banda, tendo uma ótima letra e agradando facilmente velhos e novos ouvintes do grupo. Em "Nostalgia" a banda radicada em São Paulo faz uma ode a sua terra natal, com a ajuda do duo Agridoce, de maneira simples e extremamente sentimental apresentando pela primeira vez no álbum as diferenças em sua sonoridade.

O grupo chega a se arriscar em alguns momentos do disco como na agradável "Dois Mundos" e sua sonoridade pop, usando de partes vocais e instrumentais suaves em cima de uma base eletrônica dançante, e na brasileiríssima "O Mais Clichê", com a participação do músico Dadi, integrante do grupo Novos Baianos. Mas até fora de sua zona de conforto a banda consegue fazer um grande trabalho, que pode soar um pouco deslocado entre as outras faixas do disco, porém ambas as músicas tem seu valor por mostrarem um grupo mais versátil.

O resultado deste segundo álbum é uma banda mais madura e segura de sua música, arriscando sem medo de errar, que apresenta mais um bom trabalho e se mantém entre as grandes bandas nacionais graças a sua qualidade.

Destaque para as músicas:

- Silas
- Nostalgia
- Dois Mundos
- Radioatividade
- Por Um Punhado De Reais


Até mais ^^

quarta-feira, 21 de março de 2012

The Maccabees - Given To The Wild (2012)

Given To The Wild é o terceiro disco da banda britânica The Maccabees, e está sendo visto como o álbum mais interessante do grupo por ser experimental, mas sem deixar de lado o Indie Rock que voltou os olhares para a banda em seu primeiro disco, Colour It In (2007). 

Com a pressão de ter feito um bom primeiro disco o Maccabees em seu segundo álbum, Wall Of Arms (2009), produziu um trabalho de sonoridade mais densa, que foi bem recebido pela crítica, mas que deixou a desejar em relação ao de estréia. O novo disco, lançado logo na primeira semana deste ano, mostra um grupo mais maduro, conseguindo equilibrar a sonoridade do primeiro disco, mais direta e atraente para novos ouvintes, com o lado experimental  do segundo, mais denso e cerebral.

O álbum possui uma das melhores sequências de músicas dos últimos anos em sua primeira metade, conseguindo prender a atenção do ouvinte logo de cara, fazendo uso de climas instrumentais, belas harmonias e estruturas bem construídas em suas músicas. A faixa título do disco "Given To The Wild (Intro)" faz uma bela introdução para o álbum, crescendo de forma suave e dando uma amostra do riff que marca a música seguinte, "Child", com um ótimo arranjo construído a partir da levada de bateria e adicionando elementos diversos. Destaque para as frases melódicas tocadas pelo naipe de metais, que sem dúvida alguma são o grande diferencial do arranjo.

É impressionante a forma como a banda consegue fazer suas canções crescerem durante a execução, começando de forma mais calma, com frases mais lentas, até chegar em uma sonoridade agitada e dançante, como se fossem duas músicas em uma só. Isso acontece tanto em "Child" como na faixa seguinte "Feel To Follow", que usa deste mesmo artificio, mas sem repetir ideias e apresentando ótimas partes instrumentais como seu solo de guitarra.

"Heave" é uma das músicas mais densas do disco, mas ao mesmo tempo possui uma beleza incomum, prendendo o ouvinte com seu refrão e levando até uma parte instrumental complexa tecnicamente, mas que soa muito acessível e agradável. "Pelican" vem logo depois sendo de fácil assimilação, com uma linha instrumental bem trabalhada em sua primeira parte e apresentando uma das melhores músicas do álbum, este foi o primeiro single deste trabalho.

Given To The Wild não é um disco essencialmente Pop e que será amado por inteiro logo na primeira audição, mas conforme o ouvinte vai escutando o álbum, vai também entendo o formato proposto pela banda, criando momentos de altos e baixos que compõem o disco quase que de forma conceitual para ser apreciado preferencialmente por completo e não aos pedaços como a cultura da música em formato digital nos acostumou a fazer.

Destaque para as músicas:

- Child
- Feel To Follow
- Ayla
- Heave
- Went Away
- Unknown


Até mais ^^

quarta-feira, 14 de março de 2012

The Fray - Scars & Stories (2012)

Assim como o Coldplay sofre com a constante comparação com o U2 a cada novo passo, a banda americana The Fray, vulgarmente associada ao gênero Piano Rock, sofre com a constante comparação com o Coldplay a cada novo disco que lançam.

Sem dúvida o piano é o instrumento guia da maioria das músicas do grupo, mas não se pode segregar essa banda e tantas outras a um sub-gênero do Rock. Em Scars & Stories a característica da banda que os mantém neste gênero está lá, mas acompanhada de ótimos arranjos que concedem tanta importância aos outros instrumentos quanto ao piano, em conjunto a produção muito bem feita do veterano Brendan O'Brien, que já produziu bandas como AC/DC, Pearl Jam, Audioslave e Bruce Springsteen.

A faixa de abertura "Heartbeat" abre o disco mostrando que a banda não está para brincadeira, soando como o Coldplay, mas muito menos que nos trabalhos anteriores e isso fica claro com o decorrer do disco, a banda apresenta uma música de andamento médio com ótimas partes harmônicas e melódicas, trabalhando com várias camadas sonoras criando atmosferas que caem muito bem na base rítmica da banda. 

"The Fighter" vem em seguida com uma ótima introdução guiada pela levada da bateria e por um riff de guitarra que se repete incansavelmente até o primeiro refrão. Após o segundo refrão a banda apresenta um interlúdio muito bem feito trabalhando de forma primordiosa a harmonia da música que cria um novo clima para a faixa e abre caminho para a entrada explosiva do solo de guitarra e do último refrão.

"Run For Your Life" vem com estrofes bem elaboradas e um refrão simples mas muito bonito que a coloca entre as músicas mais interessantes do disco. "I Can Barely Say" é a faixa mais lenta do álbum, iniciando a segunda parte do disco de forma leve e valorizando o arranjo de piano com o acompanhamento de instrumentos de cordas que criam a base harmônica para as frases vocais.

A bateria swingada de "Munich" deixa o ouvinte interessado já na primeira audição e a faixa com seu ótimo refrão e mais um belo arranjo faz com ela seja colocada entre as melhores do disco para ser ouvida repetidamente, caindo bem em qualquer situação. "48 To Go" tem uma pegada Country e soa totalmente diferente do restante do disco, mas isso não quer dizer que a música não seja tão boa quanto as outras, muito pelo contrário, mostra a banda em mais uma bela performance e ficará entre as preferidas de muitos fãs do grupo.

Em Scars & Stories a banda The Fray apresenta um ótimo disco em relação a arranjos e produção, mas acima de tudo o grupo soa menos como suas influências e mais com suas características próprias, claro que sons meio Coldplay ou Keane estão lá, mas em menos quantidade que por exemplo no trabalho anterior do grupo.

Destaque para as músicas:

- Heartbeat
- The Fighter
- The Wind
- 1961
- Munich
- Rainy Zurich


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 7 de março de 2012

Howler - America Give Up (2012)

Howler é uma banda americana de Indie Rock vinda da cidade de Minneapolis que demonstra em sua sonoridade influências de bandas como The Strokes em um rock mais sujo, barulhento e garageiro. 

E o que aconteceu com os Strokes em seu primeiro disco sendo considerados a salvação do Rock lá em 2001, está acontecendo com a Howler agora em pleno 2012 por parte de alguns críticos e ouvintes, tendo seu disco com uma sonoridade diferenciada do que vinha sendo feito pelas bandas de Rock nos últimos anos como "novo" caminho para este gênero. Na primeira audição as músicas soam um tanto barulhentas, mas com o decorrer do álbum nossos ouvidos vão se acustumando e curtindo as faixas que dão um bom ritmo para o disco.

"Beach Sluts" abre o disco com um levada meio Surf Music e guitarras inspiradas nos anos 90 abrindo caminho para a voz agradável de Jordan Gatesmith, vocalista e guitarrista da banda, e um refrão acelerado, em contraponto as estrofes, usando e abusando de distorções, peso e volume. Uma ótima faixa de abertura para o disco de estréia do grupo. "Back To The Grave" vem em seguida guiada por uma voz grave bem desenhada melódicamente, acompanhando de maneira eficiente a parte instrumental de arranjo simples mas soando de forma perfeita para a faixa.

"This One's Different" tem um ótimo refrão e lembra muito o primeiro disco do Strokes, graças as semelhanças das guitarras em relação ao timbre e aos solos e "Too Much Blood" lembra a banda The Vaccines com seu andamento lento dando ênfase a parte vocal, não sendo a única faixa do disco que lembra a banda inglesa, provavelmente mais uma influência do grupo.

Em "Pythagorean Fearem" um riff de guitarra simples guia toda a música de forma rápida e pesada no melhor estilo Punk Rock. "Told You Once" é o inverso da faixa anterior, tem sua base formada por violões, deixando a parte mais rockeira com a bateria e explodindo no refrão que soa tão bem quanto as estrofes, sem dúvida uma das melhores músicas do disco. "Back Of Your Neck" vem direto dos anos 60 com sua sonoridade Surf Music escancarada nas guitarras com reverb e backing vocals caracteristicos do gênero, tendo como seu ponto alto o solo de guitarra simples e melodioso.

America Give Up é um disco rápido tendo apenas 31 minutos e 50 segundos, e neste pequeno espaço de tempo a banda mostra que sem dúvida vai conquistar uma boa gama de admiradores, mas não vai revolucionar o Rock. Quem sabe futuramente o grupo pode se tornar uma banda de primeiro escalão, e isso depende de vários fatores, entre eles a composição de um bom segundo disco.

Destaque para as músicas:

- Beach Sluts
- Back To The Grave
- Too Much Blood
- Pythagorean Fearem
- Back Of Your Neck


Até mais ^^

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lana Del Rey - Born To Die (2012)

Born To Die é o segundo álbum de estúdio, e o primeiro por uma grande gravadora, da cantora sensação hype de 2011 Lana Del Rey. 

Em outubro do ano passado, Lana lançou na internet seu primeiro single, a música "Video Games" com um clipe (supostamente) produzido por ela mesma mesclando imagens da própria cantora com outras aleatórias, demonstrando uma grande influência retrô que se manifesta mais no visual da cantora que em sua música.

Considerada por muitos uma nova Adele, Lana apresenta algumas semelhanças com a cantora que mais vendeu discos em 2011, ela também compõe a maioria de suas músicas e é dotada de uma habilidade vocal impressionante, conseguindo passear entre graves e agudos com muita facilidade e apresentando basicamente três maneiras de cantar distintas que enriquecem a interpretação de suas músicas.

A faixa titulo "Born To Die" abre o disco com um belo arranjo que usa muito bem uma orquestra de cordas como base para a música composta basicamente pela voz da cantora e uma bem elaborada batida eletrônica, mas sem dúvida alguma a beleza da faixa seria amplificada se os produtores tivessem gravado a parte eletrônica com instrumentos acústicos, soando de forma mais orgânica e como menos cara de Hip-hop.

Na faixa de abertura Lana Del Rey apresenta sua primeira "personalidade" vocal, uma voz sofrida, meio sem vontade, mas que soa muito bem. Já em "Off To The Races", mais especificamente no refrão, ouvimos a segunda personalidade vocal da cantora, uma voz mais aguda com caracteristicas adolescentes, que assim como a primeira encaixa perfeitamente na música. A faixa em si não apresenta nada de mais, abusando das batidas eletrônicas e apresentando um bom refrão.

Logo em seguida a cantora coloca na sequência duas de suas melhores músicas, "Blue Jeans", com suas partes muito bem elaboradas, seria perfeita se tocada por uma banda (como é feito em sua versão ao vivo) e se não tivesse uma voz gravada que se repete durante toda a música de forma chata e desnecessária. Já o single "Video Games" tem um dos arranjos mais bonitos dos últimos anos, trabalhando de forma esplêndida com várias camadas sonoras compostas por instrumentos como piano, cordas, percussão e partes eletrônicas.

"Dark Paradise" e "Radio" são praticamente as únicas faixas onde o arranjo baseado em batidas eletrônicas funciona de maneira eficiente, combinando com a música em sua maior parte e contribuindo para que o interesse sobre ela cresça. A terceira personalidade vocal de Lana aparece em "Million Dollar Man" um Blues à moda antiga com base eletrônica e apoiado em boas construções melódicas e harmônicas tocadas pelas cordas onde a cantora interpreta a letra com uma voz firme e muito bonita.

A critica foi justa em não receber muito bem Born To Die, a produção feita de forma apressada para aproveitar o estouro da cantora na internet, usando e abusando de bases eletrônicas, tirou o potencial da maioria das músicas do disco, deixando-o em alguns momentos repetitivo, o que acredito que não aconteceria se as partes instrumentais tivessem sido gravadas por uma banda com instrumentos acústicos, fazendo com que a sonoridade do álbum fosse mais orgânica e combinasse de maneira mais efetiva com as características da cantora. Mas apesar de tudo esse primeiro trabalho de Lana Del Rey por uma grande gravadora tem seu valor e seu repertorio demonstra um grande potencial ao vivo, nos resta esperar pelo próximo disco da cantora.

Destaque para as músicas:

- Born To Die
- Blue Jeans
- Video Games
- Radio
- Million Dollar Man
- Summertime Sadness


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Van Halen - A Different Kind Of Truth (2012)

A Different Kind Of Truth é o décimo segundo disco da banda americana Van Halen e retoma a carreira do grupo em diversos aspectos:
1) Este é o primeiro álbum da banda após 14 anos de "férias" do estúdio, sendo Van Halen III (1998) o último lançamento da banda.
2) Após 27 anos, David Lee Roth volta a gravar com o grupo que o levou ao estrelato e ao qual voltou em 2007 para turnês.

Michael Anthony, atualmente baixista da super banda Chickenfoot, completaria a formação original tocando baixo, mas neste disco quem assume o instrumento é o filho do guitarrista Eddie Van Halen, Wolfang, que acompanha o pai em suas turnês desde 2006 e mostra um desempenho mediano em seu primeiro registro fonográfico.

"Tattoo" abre o disco com muito peso e uma sonoridade setentista, este foi o primeiro single do álbum e tem um grande apelo como seu refrão de fácil assimilação e a guitarra inconfundível de Eddie Van Halen fazendo um belo solo que mostra que a banda está em forma. "She's The Woman" vem em seguida com um riff marcante de guitarra e uma ótima levada de bateria, a faixa já existe desde 1976 e está registrada em gravações não autorizadas da banda, mas só agora foi lançada oficialmente remetendo diretamente aos primeiros trabalhos do grupo.

"You And Your Blues" traz David Lee Roth fazendo uma grande performance vocal em uma música mais lenta, mas com muito peso e agressividade. "China Town" começa com uma das inúmeras "insanidades" guitarrísticas de Eddie, abrindo espaço para a primeira música em que o baterista Alex Van Halen demonstra sua legendaria habilidade tocando com dois bumbos, lembrando a clássico "Hot For Teacher" do álbum MCMLXXXIV (1984).

"Blood And Fire" inevitavelmente lembra "Panama", um dos maiores hits da banda, graças as pequenas frases de guitarra que caracterizam a música e ao ritmo vocal feito pelo vocalista do grupo. "Bullethead" vem com velocidade, soando como uma música punk do anos 70 e trazendo o título do disco entre suas frases rápidas. A segunda metade do disco é toda muito parecida, dando a impressão que a maioria das faixas foram criadas no mesmo período de tempo como uma grande música que foi dividida em várias partes. "Stay Frosty" aparece como uma exceção a isso quebrando a sequência de canções "irmãs" como seu estilo Country Blues.

A Different Kind Of Truth mostra que o Van Halen voltou com tudo e com a intenção de ficar em evidencia por um bom tempo, por isso antes mesmo do lançamento do disco o grupo já havia feito uma grande divulgação em torno da turnê milionária deste disco que já tem 45 datas marcadas e provavelmente vai se estender pelo mundo com grande possibilidade de passar pelo Brasil em 2013.

Destaque para as músicas:

- Tattoo
- She's the Woman
- You and Your Blues
- China Town
- Blood and Fire
- Stay Frosty


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tedeschi Trucks Band - Revelator (2011)

Derek Trucks é um respeitado guitarrista e compositor americano que desde 1999 faz parte de uma das maiores bandas da história do Rock, a The Allman Brothers Band, substituindo o lendário Duane Allman. 

Sua esposa, Susan Tedeschi, tem sua própria banda e até 2009 gravava e saia em turnê com a mesma, mas em 2010 o casal resolveu aproveitar o hiato de suas bandas principais e formar a Tedeschi Trucks Band com mais nove músicos para tocar Blues da melhor qualidade com forte influência Pop, Rock, Folk, Gospel e Soul.

"Come See About Me" abre o disco com um groove feito pela banda com um felling muito bom, a ótima voz da cantora principal do grupo, Susan Tedeschi e belos riffs de guitarra feitos por seu marido. "Don't Let Me Slide" soa como uma continuação da faixa de abertura, apresentando belas harmonias vocais no refrão.

A bela "Midnight In Harlem" com seu arranjo suave consegue valorizar cada instrumento da banda e dar espaço para as partes vocais se desenvolverem de maneira esplêndida abrindo caminho para um solo de guitarra que fica marcado como o melhor do disco. "Bound For Glory" vem mostrando a influência Soul e Gospel existente na banda, principalmente no refrão, sendo marcada pela frase melódica que é repetida diversas vezes pelo teclado.

"Until You Remember" tem um arranjo no melhor estilo Soul dos anos 60, as estrofes tem uma simplicidade instrumental muito bem feita criando um ambiente para a letra e o refrão cresce e ganha força a cada repetição. "Love Has Something Else To Say" talvez seja a melhor faixa do disco, mesclando de maneira eficiente as influências da banda e criando uma sonoridade que transita facilmente em todas elas, tendo espaço para as partes vocais e deixando o virtuosismo de seus instrumentistas florescer em uma base instrumental fascinante com solos de vários integrantes.

A banda tocou no Brasil ano passado no SWU, sendo uma das grandes sensações do festival. Este primeiro disco do grupo, Revelator, ficou na 45ª posição na lista dos 50 melhores álbuns de 2011 da Rolling Stone americana e no último domingo (12/02), durante a cerimônia do 54th Grammy Awards o grupo recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Blues, um bom começo para uma banda com ótimos músicos e um grande futuro.

Destaque para as músicas:

- Come See About Me
- Midnight In Harlem
- Bound For Glory
- Until You Remember
- Love Has Something Else To Say
- Shelter


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dawes - Nothing Is Wrong (2011)

Dawes é uma banda americana de Pop-Folk-Country-Rock (sim, é difícil rotular o som da banda em um único gênero) formada em 2009, e que já tem em sua discografia dois discos, North Hills de 2009 e Nothing Is Wrong lançado em junho de 2011.

A sonoridade da banda passeia entre inúmeros gêneros em músicas com arranjos de fácil assimilação e andamento médio, transformando a bela sequência de canções em uma ótima trilha sonora para qualquer situação. A capa do disco chama atenção por sua simplicidade e beleza, tendo apenas uma foto da banda, provavelmente em uma passagem de som, e os nomes do grupo e disco escritos meio à moda antiga.

Logo de cara "Time Spent In Los Angeles", a melhor música do álbum, abre caminho para as faixas seguintes com estrofes simples e um refrão pegajoso (no bom sentido) que faz com que o ouvinte queria ouvir a música diversas vezes seguidas, isso sem falar nas belas partes instrumentais compostas para a faixa. "If I Wanted Someone" vem em seguida com uma boa métrica na linha vocal, uma pequena frase feita pelo piano que faz muita diferença no arranjo e um ótimo trabalho nas harmonias vocais do refrão.

"My Way Back Home" puxa a sonoridade da banda para o Country, tendo o violão como instrumento condutor, onde mais uma vez os músicos da banda capricham nas harmonias vocais, ponto alto do arranjo que ainda conta com uma levada de bateria muito bem elaborada e um bom solo de guitarra. A frase inicial de "So Well" lembra muito a famosa música do Pink Floyd "Wish You Were Here", mas a semelhança entre as duas músicas fica por ai mesmo.

Em "How Far We've Come" o grupo finca os dois pés no Country, usando ritmos, vocais e instrumentais, e frases melódicas características do gênero. "Fire Away" vem logo em seguida e já está mais para o Pop Rock com seu refrão leve e fácil de cantar. "Million Dollar Bill" é uma das faixas mais lentas do disco e mostra toda a habilidade da banda em deixar a música respirar, deixando alguns espaços vazios no arranjo que criam um clima muito agradável.

Dawes é uma banda nova e com pouco tempo de estrada, mas já em seu segundo trabalho conseguiram fazer um ótimo disco e foram reconhecidos por uma das maiores publicações relacionadas a música do mundo, a Rolling Stone americana, estando na 35ª posição na lista de melhores álbuns de 2011, a frente de discos aclamados pela crítica como Blood Pressures do The Kills, Stone Rollin do Raphael Saadiq e Let England Shake da PJ Harvey. Ou seja, a banda tem um futuro brilhante para suas músicas.

Destaque para as músicas:

- Time Spent In Los Angeles
- If I Wanted Someone
- My Way Back Home
- Million Dollar Bill
- The Way You Laugh


Até semana que vem ^^
















quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cícero - Canções De Apartamento (2011)

2011 foi sem dúvida alguma um bom ano para o mundo da música, tivemos grandes lançamentos de bandas internacionais de renome como Foo Fighters, The Black Keys, Red Hot Chili Peppers, Noel Gallagher e Coldplay, e lançamentos nacionais de artistas já conhecidos do grande público como Mallu Magalhães e Chico Buarque, e de revelações como o rapper Criolo.

Dentre essas revelações da música brasileira está o cantor/compositor Cícero e seu disco de estreia Canções De Apartamento, considerado por muitos um dos melhores álbuns nacionais de 2011 e por boa parte desses, o melhor disco de 2011 com suas músicas de arranjos simples, enxutos e com letras melancólicas, lembrando os áureos tempos de bandas como o Los Hermanos.

"Tempo De Pipa" abre o álbum de maneira leve em uma marchinha tranquila, o arranjo simples apresenta ótimas frases de instrumentos como Metalofone e Acordeon e o refrão passa a sensação de caos e desordem, dando ênfase a melancolia da bela letra interpretada pela voz suave de Cícero. "Vagalumes Cegos" inicia praticamente da mesma forma que a faixa de abertura, porém em um ritmo mais arrastado fazendo contraponto a letra dinâmica que quase não repete frases durante toda sua duração.

"Cecília E Os Balões" chama atenção pela bela frase executada pelo Metalofone e pelas entradas da guitarra em acordes com uma distorção leve, mas agressiva, que chega rasgando a suave textura sonora do arranjo na parte final da canção. "João E O Pé De Feijão" apresenta uma grande performance vocal de Cícero, indo de frases quase sussurradas a momentos que exigem mais potência vocal do intérprete.

"Ensaio Sobre Ela" é uma das músicas mais bonitas do disco, apresentando uma bela letra e um instrumental simples com uma beleza imensa. "Açúcar Ou Adoçante?" é a música mais forte do álbum, com um instrumental bem marcado nas estrofes e com o peso de uma bigorna no refrão, mas sem sujar o som com distorções ou ruídos excessivos.

Cícero foi a grande revelação da música brasileira em 2011, mesclando em um só artista grandes influências como Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, Los Hermanos, The Beatles e Radiohead, e conseguindo a partir disso tudo criar uma identidade própria e até então nova no cenário nacional. 

Destaque para as músicas:

- Tempo De Pipa
- Vagalumes Cegos
- Ensaio Sobre Ela
- Açucar Ou Adoçante?
- Eu Não Tenho Um Barco, Disse A Árvore
- Pelo Interfone


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mallu Magalhães - Pitanga (2011)

A jovem Mallu Magalhães começou sua carreira de maneira precoce aos 15 anos de idade com a pressão de ser a grande revelação da música brasileira. Desde lá foram dois discos lançados, um em 2008 e outro em 2009, (ambos levam o nome da cantora como título) onde no primeiro Mallu mostrava a grande inflûencia exercida por artistas da música Folk americana como Bob Dylan e Johnny Cash em letras simples e infantis, e no segundo sua transição do universo americano para o da música brasileira, atuando um pouco de cada lado e mesclando temas infantis e adolescentes.

Agora em Pitanga, com 19 anos de idade e com letras mais maduras, a cantora e compositora mostra que a influência da música brasileira foi mais forte que a da estrangeira, em boa parte graças ao seu namoro com o integrante do Los Hermanos, Marcelo Camelo, que participou efetivamente da construção deste álbum como compositor, arranjador, instrumentista e produtor.

"Velha E Louca" abre o disco em um reggae leve de arranjo simples, onde se faz presente um dos instrumentos preferidos de Mallu em seu período Folk, o banjo, ao lado de uma bateria bem marcada e guitarras meio surf music. A letra de "Cena" lembra muito as canções dos Los Hermanos, e o instrumental da música contribui para fortalecer a impressão de ter sido composta pelo próprio Marcelo Camelo. A performance vocal de Mallu é extremamente controlada, sabendo até onde sua voz soa bem, evitando notas mais arriscadas como nos trabalhos anteriores.

"Sambinha Bom" marca a entrada definitiva da cantora na MPB com um belo arranjo que preza pela delicadeza instrumental, servindo muito bem ao clima da letra. "Olha Só, Moreno" é uma declaração de amor descarada ao seu companheiro, a métrica das estrofes e principalmente do refrão lembram muito a maneira que Mallu cantava em seu primeiro disco, doce, ingênua e despretensiosa.

A quinta faixa do álbum, "Youhuhu", é a primeira a ser cantada em inglês, mas ainda assim conta com uma parte cantada em português, e mistura Folk, Reggae e MPB em um arranjo simples e eficiente com uma bela frase melódica assoviada como solo. "Por Que Você Faz Assim Comigo?" é o ponto alto da expressão da maturidade da cantora, demonstrando com facilidade seus sentimentos em uma letra intensa que aponta novos rumos em seu trabalho como compositora.

Mallu Magalhães consegue mostrar em seu terceiro disco que a menina virou mulher, com base em faixas que apresentam uma consistência harmônica e melódica nunca antes vistas em seus trabalhos. Sem dúvida o namoro com uma pessoa mais velha e com uma experiência musical maior como Marcelo Camelo contribuíram muito para o aumento da qualidade do trabalho da cantora.

Destaque para as músicas:

- Velha E Louca
- Cena
- Youhuhu
- In The Morning
- Lonely
- Ô, Ana


Até mais ^^


P.S.: Em Janeiro de 2012, O Musicófilo estará de férias, voltando a atividade na primeira semana se Fevereiro.
Então caros leitores, aproveitem para ler as postagens mais antigas, ouvir muita música e conhecer bandas novas que ano que vem O Musicófilo volta com tudo.

Muito obrigado por esse ano e até ano que vem ^^

Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Agridoce - Agridoce (2011)

Agridoce é o projeto paralelo da cantora Pitty com o guitarrista de sua banda Martin. O duo soa como um contraponto a sonoridade da banda principal, onde as músicas em geral são mais pesadas, fazendo o que foi denominado pela própria cantora como "fofolk", uma música folk mais suave e fofinha, mas com alguns momentos mais melancólicos e agressivos.

Para a gravação do álbum a dupla alugou uma casa na Serra da Cantareira em São Paulo, onde fizeram uma espécie de retiro musical com foco na gravação das músicas, levando para lá todos os instrumentos que seriam usados nas gravações e todo o equipamento necessário para a gravação do álbum.

"Embrace The Devil" abre o disco de maneira suave com o som do ambiente que envolvia a casa/estúdio e uma agradável levada feita pelo violão. Apesar do nome em inglês toda a faixa é cantada em português, tendo somente uma pequena frase em inglês que dá nome a música. "Dançando" foi a primeira música lançada pela dupla e é de uma beleza gigantesca com seu arranjo quase minimalista, tudo muito simples e eficiente, onde fica clara que a base das músicas do duo é formada por Pitty no piano e vocal e Martin nos violões e vocais.

"Romeu" é a faixa mais melancólica do disco apresentando um arranjo com efeitos nas vozes, piano e bateria. Pitty mostra toda sua qualidade vocal neste trabalho com performances muito coesas com o equilíbrio ideal entre técnica e musicalidade. Em "20 Passos", Pitty cede os vocais ao guitarrista Martin com sua bela voz de timbre suave e agradável, combinando muito bem com a sonoridade desta música e deixando o ouvinte com vontade de ouvir repetidamente a faixa.

Assim como a faixa de abertura do álbum, "Upside Down" é cantada em sua maior parte em português, essa é a única música do disco onde os membros da dupla dialogam efetivamente, dividindo as estrofes em uma frase para cada um, como se contassem histórias paralelas e cantando juntos o refrão em inglês. "130 Anos" foi gravada ao ar livre, contando com o som do ambiente externo que dá a música uma sonoridade intimista de gravação caseira.

Com este disco o Agridoce começou sua carreira com pé direito, apresentando ótimas músicas em um álbum equilibrado, que apesar de ter muitas músicas calmas não chega nem perto de ser chato. Infelizmente vamos ter que esperar um bom tempo pela continuidade deste projeto pois querendo ou não, a banda principal do duo exige mais dedicação.

Destaque para as músicas:

- Embrace The Devil
- Dançando
- 20 Passos
- Upside Down
- Epílogos
- O Porto


Feliz Natal!
Até semana que vem ^^

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

The Black Keys - El Camino (2011)

Em Maio de 2010 o duo americano de blues rock The Black Keys lançou o aclamado por público e crítica Brothers, e agora na reta final de 2011 com a maioria das listas de melhores discos do ano já fechadas e publicadas, a dupla formada pelos talentosos músicos e produtores Dan Auerbach (Guitarras e Vocais) e Patrick Carney (Bateria) lança El Camino com o pensamento "por que deixar para 2012 um grande álbum que pode ser lançado em 2011". Este é o terceiro trabalho do duo produzido em parceria com Danger Mouse, que atuou como compositor, produtor e músico, ficando responsável pela parte de teclados do disco.

O hit instantâneo "Lonely Boy" abre o álbum da melhor forma possível, com um riff marcante executado pela guitarra, uma levada de bateria forte e um ótimo refrão de melodia fácil que gruda na cabeça do ouvinte logo de cara. O clipe da música é um show a parte, simples e extremamente eficiente consegue ligar a imagem diretamente a música. 

"Dead And Gone" liga a sonoridade característica do Black Keys a uma sonoridade que lembra as trilhas sonoras de filmes de faroeste, certamente uma influência do trabalho solo mais recente de Danger Mouse, Rome (2011). "Gold On The Ceiling" chama a atenção pelo riff executado pelos teclados e por seu ótimo arranjo. 

"Little Black Submarines" soa como a "Starway To Heaven" do duo, sua estrutura lembra bastante a música do Led Zeppelin, começando calma apenas com voz e violão e a partir da metade tendo guitarras distorcidas, baixo e bateria com um peso absurdo e um grande solo de guitarra. Sem dúvida uma das melhores faixas do álbum. "Run Right Back" é uma das músicas mais dançantes do disco, tem um ótimo riff feito pela guitarra e um grande refrão.

"Hell Of A Season" parece uma irmã mais nova da faixa de abertura do álbum, tendo uma levada de bateria e as métricas das frases da estrofes muito semelhantes. A dupla guarda para o final do disco uma grata surpresa ao ouvinte, a ótima "Mind Eraser" com mais um refrão arrebatador e um grande arranjo.

Este sem dúvida é um dos melhores álbuns de 2011 e com certeza vai estar presente nas listas de melhores do ano que ainda não foram publicadas. Em 2010 o The Black Keys lançou Brothers, agora em 2011 El Camino, será que está por vir outro grande álbum em 2012?

Destaque para as músicas:

- Lonely Boy
- Dead And Gone
- Little Black Submarines
- Sister
- Stop Stop
- Mind Eraser


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Wilco - The Whole Love (2011)

The Whole Love é o oitavo álbum da banda americana Wilco. Lançado pelo selo criado pelo próprio grupo, o dBpm, este é o seu primeiro disco totalmente independente. 

Este está sendo o álbum de maior repercussão do Wilco desde o aclamado Yankee Hotel Foxtrot (2002), que foi a primeira tentativa de independência da banda. Resumindo a história o disco foi financiado pela gravadora Warner, recusado pela mesma quando ficou pronto, comprado pela banda por alguns trocados para ser lançado de forma independente e após fazer sucesso quando disponibilizado para streaming a gravadora voltou atrás comprando de volta os direitos de lançamento do álbum, ou seja, a Warner pagou duas vezes pelo disco.

"Art Of Almost" abre o disco ao som de uma bateria em ritmo quebrado acompanhada de vários elementos eletrônicos, uma grande interpretação do vocalista e cérebro do grupo Jeff Tweedy e algumas intervenções melódicas feitas por uma orquestra de cordas e pelo piano que embelezam a faixa. A partir dos 4:30 minutos da música (que no total tem 7:16) a banda faz uma performance instrumental de alto nível que finaliza a faixa em grande estilo.

"I Might" é marcada por uma frase melódica que se repete várias vezes passeando por praticamente todos os instrumentos presentes no arranjo e ganhando destaque ao som do orgão eletrônico. "Sunloathe" tem uma bela harmonia, que reforça seu tom melancólico, é a primeira música mais calma do álbum e onde a banda começa a intercalar uma faixa calma com uma agitada. "Dawned On Me" apresenta um ritmo muito interessante e se mostra como uma das melhores faixas do álbum.

"Born Alone" tem uma sonoridade leve e alegre, sendo uma música muito boa de ouvir graças a grande performance instrumental da banda e ao arranjo feito de maneira muito competente, conseguindo colocar cada elemento sonoro em um lugar de importância sem exagerar na quantidade. "Capitol City" soa como trilha sonora de algum filme antigo em um clima feliz e sem preocupação.

The Whole Love está sendo muito bem avaliado pela crítica e consequentemente está presente, de forma justa e merecida, em quase todas as listas de melhores álbuns de 2011, trazendo o Wilco de volta ao hall das grandes bandas da atualidade.

Destaque para as músicas:

- I Might
- Dawned On Me
- Born Alone
- Standing O
- Whole Love
- One Sunday Morning (Song For Jane Smiley's Boyfriend)


Até mais ^^

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lou Reed & Metallica - Lulu (2011)

Lulu é um álbum colaborativo entre o cantor/compositor Lou Reed (ex-The Velvet Underground) e a banda de Heavy Metal Metallica. Pela lógica um dos mais aclamados compositores do Rock + uma das maiores bandas do mundo = um grande álbum... porém não é o que acontece em Lulu. A ideia deste disco colaborativo surgiu por iniciativa de ambas as partes em 2009, na cerimônia de 25 anos do Rock And Roll Hall Of Fame onde o grupo e o cantor fizeram uma performance juntos.

O álbum começou a ser gravado em Abril deste ano secretamente, sem nenhuma divulgação de que seria um disco da parceria Lou Reed & Metallica, a partir de uma série de canções que Reed havia composto para uma produção teatral chamada Lulu, originalmente escrita pelo dramaturgo alemão Frank Wedekind.

Já na primeira audição fica claro que cada um dos participantes do álbum teve suas funções bem determinadas, sendo Lou Reed o responsável pelas letras e vocais principais, e o Metallica pela parte instrumental e alguns backing vocals, soando mais como uma banda de apoio contratada por Reed do que como um participante efetivo do disco. Em certos momentos do álbum a impressão de que tudo foi gravado sem interação entre as partes é muito forte, deixando uma pulga atrás da orelha do ouvinte que acaba supondo que a banda gravou suas partes em um estúdio e o cantor em outro.

"Brandenburg Gate" abre o disco com Lou Reed espancando um violão 12 cordas até o momento em que entram em cena guitarras cheias de distorção, uma bateria enfurecida e a voz gutural de James Hetfield. A música segue com Reed usando a interpretação chamada "Spoken Word", onde a voz principal é falada ao invés de cantada, e essa maneira de "cantar" as músicas segue presente do inicio ao fim do álbum, ficando Hetfield com as (poucas) partes vocais mais melódicas.

"Iced Honey" é a única música de todo disco que será facilmente assimilada pelo ouvinte, pois soa realmente como uma parceria, tendo suas partes equilibradas e combinando entre si. Tanto a banda quanto o vocalista deixaram de lado por um momento seus estilos e egos e criaram algo juntos que soa totalmente diferente do restante do álbum.

Lou Reed sempre teve seu lado experimental, logo, este disco será melhor aceito por seus fãs e soará muito melhor em sua discografia do que na do Metallica, onde os fãs agirão (suponho) de duas formas: alguns irão aprender a gostar do álbum pelo instrumental muito bem feito pela banda, lembrando em vários momentos os discos clássicos do grupo como Master Of Puppets (1986), e outros vão querer quebrar este disco e ir ouvir "o Metallica de verdade".

Definitivamente Lulu está longe de ser um trabalho genial de ambas as partes e não irá consolidar Lou Reed & Metallica como uma parceria de sucesso.

Destaque para as músicas:
- The View
- Iced Honey
- Frustration


Até mais ^^

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Patrick Stump - Soul Punk (2011)

Patrick Stump é um talentoso cantor, compositor e multi-instrumentista americano, mais conhecido por ser vocalista e guitarrista da banda de Pop Punk Fall Out Boy. Na teoria o Fall Out Boy entrou em hiato em Novembro de 2009 e a partir disso todos seus integrantes iniciaram projetos paralelos, o que acaba diminuindo as chances de uma possível volta da banda a curto prazo.

E em Soul Punk, Stump deixa claro algumas influências que já apareciam timidamente em sua banda e que agora com a liberdade de poder fazer o que quiser e como quiser ganham espaço e definem o som deste grande músico. Neste primeiro álbum solo de sua carreira Stump tocou todos os instrumentos presentes no disco, desde os instrumentos básicos como Guitarra, Baixo e Bateria, passando por (muitos) sintetizadores e até instrumentos de sopro como Trompete, Trombone e Saxofone.

"Explode" abre o disco de maneira explosiva com vários sons de sintetizadores, Bateria com som poderoso e uma linha vocal surpreendente apresentando um ótimo refrão, essa música é sem duvida um teste para qualquer caixa de som ou fone de ouvido. "This City" é uma mistura de influências, sua introdução soa meio Justin Timberlake, enquanto as estrofes evocam Michael Jackson e Prince (grandes ídolos do músico). O refrão da faixa deixa um pouco a desejar, mas o arranjo de toda música chama a atenção por ter muitas camadas sonoras, todas soando em perfeita harmonia.

"Dance Miserable" soa como um Soul vindo direto dos anos 70 empregando a tecnologia de gravação e de instrumentos dos dias atuais, bem swingado mostrando como esse gênero é importante para Stump. "Run Dry (X Heart X Fingers)" é uma das faíxas mais dançantes do álbum, mérito da ótima linha de Baixo que dá a música essa característica ao lado da Bateria e dos Sintetizadores. Na metade da faixa começa a hidden track "Cryptozoology", uma segunda parte/continuação da música anterior que segue a mesma linha dançante usando outros elementos sonoros.

Infelizmente nesse primeiro trabalho solo de Patrick Stump sobrou Soul e faltou Punk, fator que deixará muitos dos seus fãs vindos dos tempos de Fall Out Boy decepcionados. Mas em compensação o artista mostra habilidades nunca vistas em seus trabalhos anteriores com a banda, deixando claro que seu potencial solo pode ser tão grande quanto com a banda.

Destaque para as músicas:

- Explode
- Dance Miserable
- Run Dry (X Heart X Fingers)
- Greed
- Everybody Wants Somebody

 

Até mais ^^

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Criolo - Nó Na Orelha (2011)

O rapper Criolo já está na "estrada" desde 1989, mas só chamou a atenção da mídia musical nacional em 2010 com a divulgação dos dois primeiros singles de seu novo disco. Seu álbum de estreia intitulado Ainda Há Tempo foi lançado em 2006, mas não teve nem 1/10 da repercussão de Nó Na Orelha lançado em Abril deste ano e com produção de Daniel Gajaman e Marcelo Cabral.

Neste disco Criolo abandona o "sobrenome" Doido, que o acompanhava a anos, e mostra que além de ser um grande rapper com influência no cenário nacional, sendo um dos criadores da Rinhas Dos MC's, é também um ótimo cantor, mostrando em seu álbum que se sente muito bem fazendo Rap e cantando em ritmos como Soul, Samba, Bolero e MPB.

"Bogotá" abre o disco em ritmo latino conduzido pela Percussão e Guitarra seguido por belas frases feitas por um naipe de metais que está presente em toda faixa com partes que fazem toda diferença. "Subirusdoistiozin" foi o primeiro single do álbum, escolha muito bem feita, pois a música é uma das melhores do disco e deixa claro a intenção de Criolo de misturar o Rap com outros estilos. O arranjo da faixa conta com a base tradicional do Rap feita por uma Bateria eletrônica e adiciona instrumentos como Piano, Guitarra, Baixo e Trompete.

A melancólica "Não Existe Amor Em SP" é uma ode a maior cidade do país, falando da sua realidade cheia de diferenças e perigos conduzida por uma bela linha de Piano Rhodes tocada pelo produtor Daniel Gajaman em um arranjo que ainda conta com um quarteto de Cordas para embelezar ainda mais a música. "Freguês Da Meia Noite" mostra Criolo como um cantor de Bolero brega acompanhado de um instrumental bem característico do gênero.

Em "Grajauex" o cantor/rapper volta as raízes falando de seu bairro natal com rimas rápidas e bem feitas, como se estivesse em uma batalha de MC's. "Samba Sambei" apesar do nome é um Reggae bem swingado e que mais uma vez mostra a versatilidade deste artista. "Linha De Frente" fecha o álbum com um samba de raiz que conta com todos os elementos desse gênero com Cavaquinho, Surdo e outros instrumentos de Percussão característicos do ritmo.

O disco foi muito bem avaliado pela crítica musical, nacional e internacional, e ganhou os prêmios de Melhor Álbum, Música Do Ano ("Não Existe Amor Em SP") e Artista Revelação no VMB 2011. Além disso o disco com certeza vai estar presente nas listas de Melhores Discos Nacionais de 2011 de diversos sites, blogs e em revistas como a Rolling Stone que já deu ao álbum 4/5 estrelas.

Destaque para as músicas:

- Subirusdoistiozin
- Não Existe Amor Em SP
- Grajauex
- Lion Man
- Linha De Frente

 

Até mais ^^

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

SuperHeavy - SuperHeavy (2011)

Em meados de 2009 em algum estúdio de Los Angeles, a lenda Mick Jagger (Rolling Stones), o guitarrista Dave Stewart (Eurythmics), Joss Stone, Damian Marley e o cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista A.R. Rahman resolveram se reunir para escrever algumas canções. De lá pra cá passaram-se dois anos, e em 16 de Setembro deste ano veio a luz o resultado desta e mais algumas seções de estúdio sob o nome SuperHeavy, que batiza o supergrupo, o primeiro álbum do mesmo e a primeira música do disco.

A primeira impressão que se tem ao ouvir o álbum inteiro é a de que todos os integrantes, cada um vindo de um gênero diferente, misturaram seus estilos na parte instrumental das músicas, apesar de Damian Marley ter predominado com seu Reggae, por ter mais dois integrantes de sua banda de apoio tocando Baixo e Bateria. Já na parte vocal fica claro que cada cantor optou por manter as características de seu gênero, tendo Mick Jagger como representante do Rock, Joss Stone da Soul Music, Damian Marley do Reggae e A.R. Rahman da música indiana.

A faixa titulo do disco, "SuperHeavy", abre o álbum mostrando a mistura que o grupo propõe fazer guiada pelos vocais de Damian Marley e com partes feitas pelos demais vocalistas. O instrumental da faixa é composto por uma base de Reggae com sintetizadores e guitarras de Rock, formula presente na maioria das músicas do disco.

A terceira faixa do álbum "Miracle Worker" foi lançada como primeiro single do supergrupo e segue a mesma linha da faixa de abertura, porém adiciona partes vocais mais melódicas tanto nas estrofes como no refrão e um belo solo de Violino. "Energy" é uma das músicas mais rockeiras do disco, tendo guitarras com distorção e um ritmo rápido e marcado conduzido pela Bateria.

"Satyameva Jayathe" tem o intuito de ser a faixa "indiana" do álbum, mas pode ser que lembre para os ouvintes brasileiros o ritmo nordestino Tecno Brega, por ter uma levada de Bateria muito semelhante e a presença de sons de Teclado característicos deste gênero durante as estrofes, mas o arranjo ainda apresenta um ótimo refrão e mais um belo solo de Violino. A segunda parte do álbum é conduzida pelos vocais de Mick Jagger, mostrando que apesar de seus 68 anos de idade ainda é um dos maiores vocalistas da história da música popular em ótimas faixas como a bluseira "Never Gonna Change" e a animada "I Can't Take It No More".

SuperHeavy pode ser definido como um supergrupo de World Music que consegue misturar muito bem os diferentes gêneros de seus integrantes em algumas músicas e que em outras deixa de lado os rótulos que cada um dos membros carrega e cria algo voltado para algum gênero em comum, como a música Pop. Este não é um disco que vai mudar o mundo e dar ao SuperHeavy o título de maior supergrupo de todos os tempos, mas é um álbum extremamente interessante para os fãs dos artistas que participaram dele e para quem simplesmente aprecia a boa música.

Destaque para as músicas:

- SuperHeavy
- Miracle Worker
- Never Gonna Change
- Rock Me Gently
- I Can't Take It No More
- I Don't Mind


Até semana que vem ^^

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Coldplay - Mylo Xyloto (2011)

Mylo Xyloto é o quinto álbum da banda inglesa Coldplay e sucede o aclamado por público e crítica Viva La Vida Or Death And All His Friends (2008)

Se em Viva La Vida... a turnê criava um conceito para disco, agora em Mylo Xyloto Chris Martin e companhia resolveram ter o conceito dando norte ao álbum. Segundo o vocalista do grupo, este disco é baseado em uma história de amor com final feliz vivida por dois personagens: Mylo e Xyloto.

O álbum deixa claro logo na primeira audição que este é um Coldplay mais animado, mais "pra cima" que o dos discos anteriores (principalmente se comparado aos primeiros trabalhos do grupo) e a forte influência exercida pelo músico/compositor/produtor Brian Eno com suas atmosferas sonoras criadas por sintetizadores no processo de composição e gravação do álbum.

A faixa título "Mylo Xyloto" resume em seus 43 segundos qual é o clima do disco e serve como introdução para a animada e pronta para os estádios "Hurts Like Heaven" com seu arranjo elaborado com precisão cirúrgica, onde cada elemento sonoro tem sua importância e significado, característica dos discos produzidos por Brian Eno.

Em seguida o segundo single do álbum, "Paradise", inicia com sua bela introdução composta por cordas e teclados e abre caminho para uma das melhores músicas do disco, equilibrando de forma magistral partes pomposas, cheias de instrumentos e partes simples contando apenas com o básico, além de um dos refrões mais grudentos já criados pela banda.

"Charlie Brown" segue a animação das faixas anteriores com sua frase instrumental que acaba sendo a caracterísca da música e servindo perfeitamente como refrão acompanhada do tradicional coro "whouooo" que certamente será cantado nos shows desta nova turnê. "Us Against The World" lembra os primeiros discos do Coldplay, sendo uma das músicas com arranjo mais simples do disco, simples e extremamente bonito.

"Every Teardrop Is A Waterfall", primeiro single do álbum, é introduzida pela pequena faixa instrumental "M.M.I.X." e tem um ritmo característico que norteia toda música junto com um ótimo riff de guitarra, provavelmente esta faixa será remixada e tocada nas pistas de dança de todo mundo. "Princess Of China" tem a participação especial de Rihanna mas deixa a desejar, estaria melhor em um disco da cantora do que em um disco do grupo.

Mylo Xyloto vai dar continuidade a ascensão do Coldplay ao Olimpo da música mundial e quem sabe fará com que as comparações feitas pela crítica sejam de "o Coldplay seguindo os passos de bandas grandes como o U2" ao invés de "o Coldplay querendo ser o U2".

Destaque para as músicas:

- Hurts Like Heaven
- Paradise
- Charlie Brown
- Every Teardrop Is A Waterfall
- Major Minus
- Up In Flames
- Don't Let It Break Your Heart


Até mais ^^